Qual é a tua piscina ou Que horas ela volta?

Atualizado: 27 de set.
O filme estrelado por Regina Casé "Que Horas Ela Volta?" (dirigido por Anna Muylaert, 2015) pode ser abordado desde muitos pontos de vista. São tantas cenas merecedoras de atenção e problematização. Escolhi um. Escolhi uma cena: a de Val entrando na piscina da casa dos patrões enquanto liga para Jéssica, sua filha. É pura emoção. E fiquei me perguntando: qual é minha piscina? E quero perguntar: qual é tua piscina?
A piscina não representa necessariamente um sonho ou objetivo. Ela representa o que está perto, próximo, ao alcance da vista mas que não nos atrevemos a usufruir, pois uma voz fica dizendo: não é para você. Mas a piscina está lá. Não há uma lei proibindo a entrada, não existem cercas, não existem placas, mas a piscina está lá e Val não entra, nunca entrou. “Têm coisas que não precisa dizer, a gente sabe o que pode ou não pode”. É mais ou menos isso que Val responde à Jéssica quando esta pergunta à mãe por que nunca entrou.
Qual é tua piscina?

Qual lugar poderia entrar e fazer parte e não entra porque acha que não é seu lugar ou não é para você?
Qual é tua piscina?
Aquele lugar que pode ser tão gostoso, divertido, novo, desafiador mas que você não se atreve a entrar?
Por que classificamos experiências como sendo ou não “para o nosso bico”? Jéssica representa tanta coisa e, dentre elas, representa uma força que contorna ou derruba as barreiras criadas por mecanismos sociais. Ela não se pergunta: isso é para meu bico? Ela só vai. E vai questionando. E vai para a Universidade. Jéssica não invade a Universidade, ela ocupa um lugar. Val não invade a piscina, ela ocupa um lugar.
Qual é tua piscina?
Aquela coisa ou lugar ou ideia íntima, aquele prazer secreto que você não arrisca assumir que deseja?
Qual é tua piscina?
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